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Eventos

Palestra sobre saúde mental pós tragédias abre Semana de Formação Docente

Psicóloga compartilhou informações sobre amparo aos atingidos por enchentes

Psicóloga compartilhou informações sobre amparo aos atingidos por enchentes

Uma conversa importante sobre o amparo psicológico após eventos trágicos, como a enchente que atingiu o Rio Grande do Sul em maio passado, abriu a Semana de Formação Docente da Atitus Educação, que ocorre antes de cada semestre letivo.

A palestra “Saúde Mental em Situações de Crise”, ministrada pela psicóloga Bruna Dal Fiume Armelin, ocorreu na noite de segunda-feira (29) no auditório da Atitus Educação do Campus Mont’Serrat, em Porto Alegre, e foi transmitida ao corpo docente de Passo Fundo.

Entre formações correlatas, Bruna é especialista em Aconselhamentos, Intervenções, Urgências e Catástrofes pela Universidade de Málaga, na Espanha, e em Gestão de Riscos e Desastres Naturais pela Faculdade Dom Bosco.

Partindo do episódio ocorrido no RS, a psicóloga compartilhou dados como uma pesquisa do Reino Unido sobre efeitos de inundações sobre a saúde mental de uma população.

Conforme a pesquisa, a chance de pessoas diretamente atingidas desenvolverem adoecimentos como depressão, ansiedade e transtorno de estresse pós-traumático é seis vezes superior em relação a pessoas não afetadas. Há também índices substanciais de problemas de saúde mental entre pessoas atingidas diretamente e indiretamente até pelo menos três anos após o episódio.

Porém, Bruna ressalta que eles podem ser prevenidos e mitigados, especialmente se houver a ação de profissionais de saúde mental no momento do desastre. “Daí a importância da prevenção. Não adianta acontecer o desastre e só então eu planejar uma intervenção. Hoje, nós estamos em um pós-desastre que também pode ser um pré-desastre. O que nós e os profissionais dos nossos cursos podem fazer para evitar que ele volte a acontecer?”, questionou.

Ela também listou sintomas pouco debatidos, mas que também afetam populações atingidas. Um dos exemplos é a chamada fadiga por compaixão, quando as pessoas sofrem por sentirem culpa de ter outras preocupações ou prazeres após a tragédia ou por incapacidade de fazer mais por quem foi diretamente atingido.

A psicóloga enfatizou ainda o papel importante dos professores em sala de aula para auxiliar alunos a retornar à sua capacidade pré-crise de se concentrar e funcionar academicamente. Para tal, Bruna aconselhou que os professores conversem com os alunos sobre o processo de recuperação e se coloquem à disposição no que puderem ajudar.

“O aprendizado de uma graduação está ligado à auto realização. Se eu estou sofrendo necessidades básicas, eu não consigo estar focado em aprender”, disse a psicóloga.

Também foram abordadas as formas de fazer essa comunicação verbal e não verbal, que deve ser feito de forma clara, calma, com postura e gestual sincera de interesse e evitando comparações, apelos à espiritualidade ou expressões lugares-comuns, como “foram só bens materiais”, “agradeça por estar viva” ou “você tem que ser forte”.

Bruna, porém, ressaltou a capacidade de resiliência das pessoas. Ou seja: ainda que populações atingidas por uma tragédia possam apresentar perturbações transitórias no seu funcionamento normal, elas podem voltar a uma trajetória estável ao longo do tempo.

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